E aí, pessoal! O chef aqui, batendo um papo com vocês sobre algo que me deixa de boca cheia e feliz: como a bebida certa pode transformar um prato, especialmente quando a gente fala da nossa cozinha brasileira. Pra mim, comer é uma experiência completa, e o que você bebe junto faz uma diferença danada. Não é só pra molhar a garganta, sabe? É pra levantar o sabor, pra equilibrar, pra surpreender.
Aqui no Mangaba, a gente se vira nos trinta pra criar pratos que contam uma história. Mas a história não termina no prato. Ela continua no copo! E, honestamente, é aí que muita gente se perde. Mas calma, eu tô aqui pra descomplicar um pouco isso e dar umas dicas de chef pra vocês.
Por Que a Harmonização É Tão Importante?
Olha, pense assim: cozinhar é como montar uma orquestra. Cada ingrediente é um instrumento. Se você coloca um trompete muito alto num solo de flauta, a coisa desanda. Comida e bebida são a mesma coisa. Você quer que eles toquem juntos, um realçando o outro, não brigando por atenção.
Meu paladar, depois de anos na cozinha, me diz que o objetivo é sempre buscar o equilíbrio. Às vezes, um contraste funciona bem. Outras vezes, a gente quer algo que complemente. Não tem uma regra de ouro imutável, mas tem uns caminhos que raramente falham.
Drinks Brasileiros: Nossos Coringas
Não dá pra falar de comida brasileira sem falar dos nossos drinks. A cachaça, pra mim, é um universo à parte. E a caipirinha? Ah, a caipirinha! Ela é versátil, refrescante e, se bem feita, levanta qualquer astral.
Pra mim, uma caipirinha bem feita pode ser um ótimo começo. Por exemplo, a nossa Caipirinha de Romã é um arraso. Ela tem um toque adocicado, mas com acidez na medida certa. Eu acho que ela combina super bem como um aperitivo leve, antes de um prato mais robusto, ou até mesmo com um peixe grelhado, mais delicado.
Comidas do Mangaba e Seus Parceiros Perfeitos
Agora, vamos ao que interessa: nossos pratos e o que beber com eles. Eu sempre penso na intensidade, nos temperos, na untuosidade. É um quebra-cabeça, mas um muito gostoso de resolver!
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Para a rica Moquesa de Jasare: Caramba, esse prato é uma explosão de sabor! Coco, azeite de dendê, temperos marcantes e a carne de jacaré, que tem uma textura única. Pra mim, a melhor pedida aqui é algo que corte a riqueza sem apagar o sabor. Um bom vinho branco, talvez um Alvarinho ou um Sauvignon Blanc com boa acidez, que limpa o paladar. Se for de drink, uma cachaça branca, mais pura, servida bem gelada, funciona como um contraponto surpreendente. A acidez e o álcool ajudam a “limpar” a boca da untuosidade do dendê.
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Com o saboroso Bobó de Jasare: Parecido com a moqueca na base de coco e dendê, mas o bobó tem uma cremosidade que pede um pouco mais de estrutura. Aqui, eu arriscaria um tinto leve, com taninos macios, talvez um Pinot Noir com um bom frescor. Mas se você gosta de algo mais ousado, uma cachaça envelhecida, com notas amadeiradas e um pouco de doçura, pode ser um par intrigante. Ela complementa a complexidade do prato.
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O delicado Peixe ao Avium: Esse prato, com a leveza do peixe e os temperos que valorizam o frescor, pede algo que não roube a cena. Vinhos brancos leves e aromáticos são meus favoritos. Pense em um Torrontés, que tem um perfume floral gostoso, ou um vinho verde português, com sua efervescência sutil. Pra quem não abre mão de um drink, uma caipirinha de limão tradicional, com sua acidez marcante e refrescância, é um clássico que funciona muito bem pra realçar a delicadeza do peixe.
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O inusitado Tartar de Carne Soleada com Chips de Banana Mangaba: Esse é um prato que mistura o rústico da carne seca (ou carne soleada, como chamamos) com a sofisticação do tartar e a doçura e crocância da banana. É um prato com bastante personalidade! Pra mim, um bom vinho tinto de corpo médio, com alguma especiaria, como um Syrah, cairia super bem. Os taninos presentes dariam conta da gordura da carne e as notas frutadas e apimentadas do vinho fariam um belo casamento. Se a ideia for um drink, uma cachaça envelhecida, com complexidade, ou até um Manhattan com uma boa cachaça no lugar do uísque, seria uma aposta interessante para quem busca algo diferente.
Vinhos e a Cozinha Brasileira: Sem Medo de Experimentar
Muita gente acha que vinho e comida brasileira não combinam. Mentira! É que a gente tem uma cozinha cheia de contrastes, e o vinho precisa ser escolhido a dedo. Eu vejo muito preconceito por aí, mas meu conselho é: experimente.

Vinhos rosés, por exemplo, são uns coringas incríveis com a nossa comida. Eles têm a acidez dos brancos e um toque de corpo que os aproxima dos tintos, sem ser pesado. Um bom rosé seco vai bem com quase tudo, de moqueca a acarajé.
E espumantes? Poxa, um bom espumante brut, com sua acidez e borbulhas, é um excelente limpador de paladar. Ele vai bem com frituras, com comidas mais gordurosas, e até com pratos que têm um toque picante. É uma aposta segura e elegante.
Minha Conclusão de Chef
No fim das contas, a harmonização perfeita é aquela que mais agrada seu paladar. As minhas dicas são só um ponto de partida. Não tenha medo de testar coisas novas. Peça a opinião do sommelier ou do garçom, eles estão lá pra isso. E o mais importante: divirta-se! Comida e bebida são pra trazer alegria e bons momentos.
Então, da próxima vez que você vier ao Mangaba, não hesite em perguntar. Ou melhor, ousar. A cozinha é um laboratório, e cada refeição, uma nova descoberta. Saúde!